Enfim não somos referência somente no futebol… Agora o Brasil sai à frente das grandes outras sociedades (ESC, ACC/AHA) trazendo diversas novidades em sua diretriz de dor torácica – incluindo POCUS e menções a oclusão coronária aguda (a nova classificação do infarto).
A imagem inicial e central da diretriz resume o processo de abordagem inicial em pacientes com dor torácica no PS em 3 steps:
STEP 1 – O mais importante de imediato é o nosso querido ECG em até 10 minutos.
STEP 2 – Avaliar instabilidade hemodinâmica: se presente utilizar de imediato o POCUS
STEP 3 – Decisão após avaliação clínica detalhada com apoio de algoritmos e exames iniciais conforme suspeita clínica
STEP 4 – Observação e investigação adicional nos casos de probabilidade/risco intermediário e considerar exames adicionais conforme suspeita, além de seriar o ECG
Em qualquer STEP caso o diagnóstico seja firmado, o paciente vai diretamente ao fluxograma de tratamento e abordagem específica da doença/quadro agudo!
Pessoal – o termo “isquemia subepicárdica” não existe e é incorreto!
Quando há isquemia intensa/aguda que vai levar à necrose (infarto), o processo começa pelo subendocárdio: ali há menor reserva de sangue, maior estresse, etc.
A onda T negativa como manifestação clínica de ECG não aparece primeiramente por isquemia localizada no subepicárdio isoladamente, mas sim em fases evolutivas, reperfusão, ou como dano residual, ou após morte de células (necrose) / janela (“window effect”) de parte do miocárdio enquadrado.
Não há como quantificar em qual parte do miocárdio a isquemia está afetando! Não conseguimos estar “dentro do coração” para falar com exatidão onde o dano celular está! Aí está o famoso inverse problem da eletrocardiografia.
Quando o STEP I (ECG) não é diagnóstico (aqui é interessante falarmos também da importância da história clínica) passamos para o STEP II (avaliação de instabilidade hemodinâmica)… E quais são os sinais de instabilidade hemodinâmica?
Abaixo estão as janelas que devem ser realizadas em pacientes com dor torácica e instabilidade hemodinâmica. Lembre-se da clínica! A avaliação da probabilidade pré-teste pela história clínica do seu paciente é fundamental e essencial!
Foi inserido na diretriz também ótimos fluxogramas (que já existem)…
O documento da SBC trouxe diversas informações e é extremamente didático no que tange em relação ao principal marcador enzimático da SCA! Podem ser utilizados com a troponina ultrassensível quantitativa três fluxos: *momento 0= primeira dosagem na entrada inserida no MOVE.
0/1 ; 0/2 ; 0/3
É extremamente importante aqui saber a hora do início da dor, para podermos melhorar a estratificação do rule-in (internação) e rule-out (alta).
Em pacientes intermediários que a troponina não fecha critérios para rule-in e o heart é menor que 4 podemos solicitar alguns testes que auxiliem na propedêutica (intra-hospitalar ou precoce ambulatorialmente).
Aqui está uma crítica ao fluxograma acima: criamos uma seguinte situação – paciente com Ergométrico recente há 6 meses sem alterações se enquadrando no teste negativo e recente – consideraria realmente alta?
Barros e Silva PG, Soeiro AM, Ornelas CE, Feitosa-Filho GS, Lopes RD, Lino DOC, et al. Diretriz Brasileira de Atendimento à Dor Torácica na Unidade de Emergência – 2025. Arq Bras Cardiol. 2025;122(9):e20250620. Disponível em: https://abccardiol.org/wp content/uploads/2025/09 2025 0620_Diretriz_Dor_Toracica_2025_port.x66747.pdf. Acesso em: 24 set. 2025.
Domine as Emergências Cardiovasculares!